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CORDEIROS E PROCRUSTOS
Procrusto, de acordo com SUA justiça, quis estabelecer a igualdade entre os homens. Para tal, cortou as pernas dos gigantes, para que esses fossem igualados aos não-gigantes, e esticou esses útimos para que se equiparassem aos primeiros. Para medir o padrão de todos, utilizava-se de camas de gigantes para os não-gigantes e vice-versa. Todos eram trucidados. Mas que tentativa de uniformidade é essa que revelou primeiro a dor e a revolta e, depois, a aceitação e a subserviência? Procrusto apesar de agir brutalmente, reconhecia-se como provedor da justiça entre os homens. Além de matar, ele explicava as suas vítimas que essas deviam aceitar a dor pois estavam contribuindo para uma sociedade igualitária. O mais funesto acontecimento dessa história é que as pessoas começaram a "entender" e concordar com a condição de cordeiros do sacrifício e repetiam, entre gritos e lamentos, o discurso do algoz, com júbilo. A repetição da condição de Procrusto é intermitantemente vista ao longo da história, e como "o eterno retorno", os cordeiros vêm como condição de existência do primeiro. O gigante precisava pensar que agia pelo benefício de todos e não se resumia a apenas práticar o mal, mas, acima de tudo, precisava convencer suas vítimas. A palavra aniquila o homem de maneira a fazer com que aja, ele mesmo, contra sua existência. Pelo convencimento, não apenas se ganha, se arrebanha, mas acima de tudo, se faz crer que temos que estar ao lado de quem nos faz mal. E até ajudá-lo. Ficamos todos empedernidos, a espera de que nos cortem as pernas ou de que nos estiquem os membros.
Escrito por ritasoutomaior às 10h37
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